instagram

Artigos na Mídia

 

Não mate seus Heróis.

 

Recrutamento e Seleção é um processo muitas vezes mal entendido. Se você se dedica a preencher um vazio com um corpo, desculpe a franqueza, mas você está fazendo errado.

Humanos são particulares. Assim como nosso DNA é único, nossos processos internos, a maneira como pensamos, e como executamos nossas idéias também é singular.

Quando temos que preencher uma vaga aberta, ou buscar um talento para uma posição nova, não podemos, nunca, focar em “mais do mesmo”. Temos que buscar pessoas inspiradas e com amor pela tarefa principal do cargo em questão. Pensar em substituir uma pessoa talentosa por outra parecida é ignorar o que nos faz especial, nossa singularidade.

R&S por competência é um ótimo começo, poder compartimentalizar comportamentos e medir fatores chave de sucesso para determinadas tarefas. Mas não podemos parar por aí. Uma conversa franca, transparente e até emocional é fundamental para o sucesso no recrutamento. Olhar no olho do candidato, ver o brilho nos olhos quando a posição ou projeto são propostos, entender onde o coração do candidato está, ouvir a voz tremer com a vontade de participar, e entender em um nível profundo o que faz o candidate esquentar e esfriar, todos são chaves para o sucesso.

Então você fez tudo isso, você mediu, estudou, conversou e viu a paixão. Tomou a decisão, fez a oferta, e a oferta foi aceita. Agora o quê?

Você perguntou como o seu novo Herói funciona? Como gosta de se posicionar para máxima criatividade e produtividade? Já vi muitas vezes uma escolha certa se transformar em um pesadelo cheio de decepções e baixo desempenho, projetos acabando no lixo ou falhando por causa do método de desenvolvimento e as ferramentas que o Líder precisou usar, às vezes forçosamente. Estes error provam-se sempre mais custosos do que fazer a escolha de processo e ambiente de trabalho correto.

Algum tempo atrás tive a sorte de me envolver com um processo de R&S para um Chef para um Café pequeno mas de muito sucesso, que serve bolos, tortas, doces, salgados e cafés de altíssima qualidade. Após as primeiras entrevistas, filtradas primeiro pelos donos do Café, os 3 candidatos finalistas foram enviados à mim para entrevistas e testes.

O primeiro candidato apresentou um Curriculum Vitae impressionate, com mais de 20 anos de execução de cozinha, em estabelecimentos de médio e largo porte, liderando times de 3 a 15 Ajudantes de Cozinha, e mostrou resultados em crescimento satisfatórios os suficiente para impressionar os donos do negócio.

O segundo, recém formado em Gastronomia, com muita vontade de mostrar como consegue fazer qualquer doce usando qualquer equipamento, mostrando um CV curto em experiências, mas com muitas certificações relevantes à posição. O candidato demonstrou as competências certas para um “Novo Chef”, talvez até ideal para um Café arrojado e Avant Garde.

A terceira era uma candidata sem CV. Uma mãe de três crianças entre 13 e 5 anos, casada com um executivo que havia perdido o emprego recentemente durante uma falência. Ela soube falar de como preparar a maioria dos pratos principais do Café, e de quanto gostava de um em especial. Ela tinha um certo brilho no olhar que nenhum dos outro tinha.

Após uma longa consulta com os donos do Café, eu recomendei um teste, que eles escolhesse cada um um prato que serviam, o que sentissem mais prazer em consumir, e que me dissessem o que eles mais gostavam no prato. Com as seleções prontas, chamei os três candidatos à cozinha do Café e pedi-lhes que modificassem os dois pratos, e que tentassem eliminar o fator que os donos gostavam mais.

O primeiro candidato quando chegou à cozinha se deparou com um lugar pequeno em relação ao que estava acostumado, mas rapidamente se adaptou e em 40 minutos tinha duas versões novas dos pratos escolhidos. A decepção foi geral. O Chef usou equipamento estranho, não tinha seu espaço recriado e por isso não conseguiu funcionar corretamente ou se inspirar.

O segundo entendia perfeitamente todas as ferramentas, com destreza navegou o espaço da cozinha e preparou duas sobremesas muito boas, um dos donos ficou tão impressionado que imediatamente quis aprender o que fizera o resultado tão melhor que o original. A resposta veio na forma de uma explicação técnica sobre o tempo, velocidade e temperatura em que claras de ovos devem ser batidas, secagem de massa e mais algumas técnicas específicas para etapas do processo. Impressionou pela facilidade de entender a raíz do processo culinário.

A terceira candidata entrou na cozinha, e por cinco minutos parecia perdida. Após estes primeiros momentos, puxou um bloquinho de notas e um lápis do bolso, fez uma lista curta e voltou-se à nós pedindo se podíamos providenciar três items, ferramentas de cozinha simples, ou se podia trazê-los de casa. Prontamente remarcamos o teste, e ela voltou na manhã seguinte, antes do Café abrir as portas. Lembro bem do avental rosa que ela usava, e do encantamento que subiu às nossas cabeças quando ela, em menos tempo que os dois candidatos anteriores, preparou os dois pratos. Ela conquistou a vaga ali mesmo, mas não falamos nada à ela, só pedimos para esperar por um telefonema no dia seguinte.

Qual foi a grande diferença? Simples. Simplicidade. Ela juntou o amor à cozinhar para sua família com a execução por métodos familiares, otimizando performance e aumentando produtividade de maneira surpreendente.

Podemos sempre reproduzir esta experiência em qualquer situação de vida e de trabalho. Você mesmo, agora, está participando deste mesmo processo. Onde estás lendo esta matéria? Estás confortável? Lendo no seu equipamento de escolha? Se você está em um bom estado de espírito e feliz, e se tem paixão por este assunto, você facilmente chegará ao fim deste artigo, se não está, provavelmente já não está mais lendo… Certo? Alô?

Simplicidade. Aqui mora a chave para a produtividade. Para alguns, a simplicidade pode ser a planilha de Excel mais complicada que já foi criada, para outros, trabalhar no sofá com um iPad e com a TV fazendo barulho no fundo é o ponto de conforto e produtividade máxima.

Pense antes de pedir ao seu novo SuperMan à trabalhar com Kriptonita, você pode estar matando seu novo Herói, e sem perceber, você vai pagar caro por isso… Produtividade é uma moeda mais forte do que você pensa.

Eduardo Cesconetto.